BARZOON

CONTOS DE FICÇÃO MÍSTICA
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RHÉA

Os milênios em Rhéa foram prósperos. Três mil anos de descobertas e criações de novas tecnologias, humanos ciberneticamente melhorados, cidades flutuantes entre as nuvens, nébulas essas, alteradas geneticamente e capazes de armazenar dados isomórficos contendo terá bytes de todo tipo de informação.

 

Humanos geneticamente sencientes capazes de armazenar informação em seus próprios adn’s, os chamados “ishim-machshevim – homens-computadores.” Eles dizem que era assim no Éden e que o adn de Adão era capaz de armazenar todos os mistérios celestes revelados a ele pela glória de Deus.

 

Tivemos carros voadores e embarcações singrando as nuvens conduzidas por timoneiros cibernéticos e, todas essas conquistas, todas essas prosperidades, avanços médicos e científicos graças à descoberta da Éven-Shetyiáh – a Pedra da fundação – a qual os místicos descobriram ser uma lasca do trono divino que um dia, cinco milênios antes, havia caído no poço de Haderei-Teman, o Hexágono de Shabatai, o gigante gasoso ao redor do qual orbita Rhéa, sua segunda lua e nosso antigo e próspero lar.

 

Contam, os livros antigos, que a Éven-Shetyiáh era viva e instruía aos Menahigim, os imortais quarenta e dois líderes de Rhéa, com sua própria voz, entoando cantilações místicas chamadas de Nuqivim-Nistarim, aos Mehahigim.

 

Foi Mahalelel quem, no segundo milênio após a queda da Éven-Shetyiáh no poço de Haderei-Teman, viajou à profundezas de Shabatai através do Portão de Tannhauser, e emergiu, trazendo nas mãos a Pedra da Fundação.

 

Um templo, o Ohël-Moëd, foi erguido em setenta e dois dias e, dentro dele, em um pedestal feito de Yahalon, foi colocada para levitar a Éven-Shetyáh.

 

Por três mil anos tivemos a voz da Éven-Shetyiáh nos instruindo, nos revelando mistérios divinos e novas tecnologias, os Nomes gravados em pedras de fogo no Jardim do Éden.

 

Então, um a um, no tempo de quatrocentos e vinte anos, os Menahigim se ocultaram e a Éven-Shetyiáh se calou, sua luz esvaneceu e sua flutuabilidade sessou. Todas as memórias se apagaram, todo o conhecimento se dissipou e a doença do esquecimento tomou todos os habitantes de Rhéa.

 

Eu fui o único que despertou e se recordou de todos esses mistérios. Habito agora um mundo destruído. Moro nas ruinas do que foi, um dia o Ohël-Moëd, o templo da Pedra da Fundação. Ela ainda está aqui, apagada e em silêncio. Ao seu redor, quarenta e dois sarcófagos preservam os corpos dos Menahigim. Seus conselhos não mais são ouvidos. Suas vozes permanecem em silêncio.

 

Tudo isso aconteceu por causa de Natash, o príncipe, cujo ego alçou acima das nuvens e contaminou todos os habitantes de Rhéa. A doença se espalhou e todos eles morreram, exceto eu, o último habitante de Rhéa.

 

Meu nome é Jonas e eu naveguei o grande mar de Rhéa dentro do ventre de Nuná, o peixe falante de Shabatai, chamado também de Ohël-Moëd, o templo da Pedra da Fundação.